Wednesday, October 22, 2008

A Boa e Velha Gentileza


Hoje de manhã, eu e meu iPod, saímos felizes pra pegar o ônibus.

Ali no ponto tinha duas senhorinhas, cheias de estilo, sentadas nos bancos : uma japonesinha com uma bata colorida, outra bem mais velhinha, de cabelo branquinho e – adoro – de tênis. Nike.

Essa, de tênis, batia um papo animado com uma moça. Eu via, mas não ouvia. Mas gostava. Meu coração fica feliz quando vê moças dando atenção genuína a pessoas mais velhas.

E eu esperava o ônibus de pé, olhando atenta pra tudo o que acontecia à minha volta, people watcher que sou, e dublando sei lá o que que eu ouvia.
A senhorinha japonesa me chamou, tocando delicadamente meu braço. Tirei o fone do ouvido, sorri, me abaixei e ela disse: “Senta, querida… o ônibus tá demorando!”.
Eu respondi, enternecida: “Aaaaah, obrigada!”. Sentei ao lado dela e desliguei o iPod, mas ela nem queria conversa assim… ela queria só… ser gentil.

O ônibus demorou, mas chegou.

Entramos todas, e duas paradas mais tarde, entrou outra senhorinha de idade.
Poooodre de chique.
Com brincão, colarzão, oclão, batonzão.
Bancos ocupados.
A velhinha de tênis e cabelinho branco, se levantou imediatamente pra dar lugar pra esta última que entrou, e que era visivelmente mais jovem.
Por esta razão talvez, ela custou a aceitar. “Deixa disso, estou bem."
“Mas eu desço no próximo ponto, faço questão, deixa disso você”.
E ela sentou, e a de cabelinho branco desceu no mesmo ponto que eu, deixando pra trás a senhorinha chique confortavelmente sentada, sem abalar um milímetro a paz dos outros jovens passageiros desprovidos de gentileza e respeito que não cogitaram oferecer lugar algum.

E lá fomos nós, eu e a velhinha de tênis, que gentilmente sorriu pra mim quando a gente teve que se separar.

Outro dia no supermercado eu quis que um senhorzinho - Sr. Alexandre - passasse na minha frente na fila, e ele não quis de maneira nenhuma.
Disse que as damas vão sempre primeiro.
Eu, a dama, fui na frente dele, satisfeita.

E eu hoje sorri de volta aliviada para a velhinha de tênis, por saber que as velhinhas e os velhinhos, pelo menos eles, nunca se esquecerão do valor de uma gentileza, mesmo que o mundo não seja gentil com eles o tempo todo, por mais longo que esse tempo todo seja. Muito mais do que a distância entre um ponto de ônibus e outro, ou a fila de um caixa de supermercado.

Saturday, October 04, 2008

Mi casa, su casa


Estou tentando dar nome ao que me acomete.
Me sinto como aqueles personagens das propagandas das eleições - um que sapateia há quatro anos, outro que ouve o zumbido da abelha, aquela que anda em círculos, o emotivo, e por aí vai.

Meu "problema" é o seguinte: eu não posso ouvir de algum conhecido: "vou estar em São Paulo", sem que eu vá ao encontro desta pessoa, na eventual impossibilidade de hospedá-la em minhas amplas instalações.

São dez meses de São Paulo, e tudo começou em janeiro com minha BFF Flá, a quem eu considero praticamente uma roommate.
Às vezes eu até tenho que remanejá-la pra outro endereço pra receber outros alguéns aqui, hahaha...
Bom, depois da Flávia, veio Carlinha na entrevista do visto.
Na seqüência, Vini, o terceiro roommate.

Alice eu não consegui botar dentro de casa, então fui encontrá-la na 25 de Março.

Caio também ofereceu resistência e eu então fui vê-lo no aeroporto.

Vivi(ane), uma cidadã paulistana, nascida e criada na Vila Madalena, começou com banhos e cochilos depois da Santa Casa quando tem festinha na Pati Paduan e agora também já dorme e tenta infectar outros visitantes com suas poxes.

Já recebi duas vezes a minha floooooor de liz baiana que eu queria tanto tanto que fosse minha roommate pra sempre.

Ontem fui jantar com Lu Amiga e Dona Graça, e já combinamos uma bem sucedida sessão de compras hoje pela 25 e arredores. Foi ótimo. Uma pena elas terem ficado em hotel, hahaha...

Agora às 23h20min, tô indo ao aeroporto buscar o Brian. Éééééé, estou trabalhando com o mercado externo agora.
Brian Coletta, um americano que eu conheci em Big Sky, tá vindo pra minha casinha também.
Vini firme na luta comigo, também vem pra cá.

Não paro muito pra pensar na opinião dos porteiros do prédio, que devem ficar zonzos tentando entender o que se passa, mas tsc, ah, deixa eles.

Ok, Thiago também já tá agendado, e agora até o peruano Orlando, que era runner do Summit, também vem pra cá, nos mesmos dias de Patty Aloise e já estamos combinando de tentar encontrar.

E eu vou mesmo! Saio de onde for, vou onde for preciso, pra rever essa gente que eu gosto tanto.

Se isso tiver nome, me diga. Se for profissão, me diga mais rápido ainda, porque com certeza eu vou me dar bem.
Pelo menos experiência, eu tô adquirindo.

Beijos e abraços a você, estimado leitor.
E olha, passando por São Paulo, não deixe de me comunicar.

Já sabe... Mi casa, su casa!

Friday, September 19, 2008

Likes =) Dislikes =(















GOSTO

- de listas
- de bolsas
- de gorgonzola
- de reler o que escrevo três mil vezes
- dos meus alunos
- de Sex and the City
- de muitas outras sitcoms
- de ser irônica
- do cinema nacional
- de morar em São Paulo
- de ter ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar
- de tirar fotos de mim mesma quando eu tô me achando bonitinha
- de saber que eu tenho um certo estilo
- de saber que o ballet me deixou posuda
- da Julia me traduzir direitinho
- de acessórios, mais que de roupas
- de cor, muita cor, em todo o meu caminho, minhas roupas, minha casa
- de céu azul e sol
- de oclões e relojões
- de Inglês
- de viajar
- de conversar com criança
- de shimeji
- de coca-cola bem gelada
- de água bem gelada
- de rúcula
- de mini pão de mel com recheio de trufa da Benjamim
- de faixa no cabelo
- do Altoid de tangerina ardidinho que a Pati P. trouxe
- do meu MacBook
- de música o tempo todo
- de ir ao cinema, chorar
- de gente "bobalegre"
- de cabelo cacheado
- de mastigar coisinhas crocantes (semente de maracujá, coisinho do morango e do kiwi, nozes, castanha, avelã...)
- de ser finalmente considerada uma pessoa "difícil"
- de ter idéias e lembrar de contar pra alguém
- do meu iPod verdinho pra ouvir tudo beeeeem alto
- de ser desapegada
- da minha tatuagem de flor no ombro
- do Jason Mraz (e da boca torta dele)
- de realmente estar conseguindo manter contato com os que me são caros e me sentir uma amiga melhor agora do que antes
- de saber que os meus amigos são os melhores que alguém poderia ter
- de acreditar que eu sou igual a minha avó e vou viver 98 anos engraçados e felizes como os que ela viveu
- de ver que essa lista é bem maior que a outra!!!
- de poder voltar aqui toda hora porque lembrei de mais uma coisa, hehehe

NÃO GOSTO

- de café com açúcar
- de sapato que me machuca (hoje só Havaianas e meu All Star bege não me machucam)
- de ver gente dormindo na rua
- de gente que grita à toa
- de gente que pula muito
- de gente que quer ser íntimo sem sê-lo na real
- de pagode
- de quiabo e jiló
- de não conseguir levar em frente metade das coisas que eu começo a fazer muito animada
- de ter preguiça de ir conhecer lugares que eu não conheço em SP alegando que eu tô aqui mesmo e posso ir qualquer outra hora (que nunca chega)
- de filme de monstro
- de trem fantasma
- de QUALQUER barulho repetitivo
- de telefone tocando (entra no barulho repetitivo?)
- de gente melindrosa
- de eventualmente atrapalhar a vida dos outros com minha falta de disciplina
- de puxa-saco, nem meu nem de ninguém
- de não emagrecer
- de piada de peido e bosta (isso se carateriza como "escatológico", certo?)
- das palavras peido e bosta
- de não conseguir fazer nada com a devida antecedência e ter prazer em deixar pra última hora e quase enlouquecer
- de frio sem ser em Big Sky
- de dia nublado
- de deixar a Liz triste
- quando me dizem que eu já sou grande e preciso me preocupar com o futuro (porque eu sei que é verdade mas eu não quero pensar nisso ainda...)


Tá.
Tchau.

=)

Friday, September 05, 2008

Baseado em Fatos Reais


Yeah, you know me.
Eu ando pelo mundo divertindo gente e passando muitos apuros.
Resolvi trazê-los à baila, for your entertainment.

Hoje, sexta-feira ensolarada, pude dormir até acordar e acordei umas nove e meia.
Hmmm... vou botar água pra ferver pra fazer um café e corro na padaria pra pegar um pãozinho fresquinho enquanto a água ferve.
Xiiiii, o Senhor é meu pastor, mas falta manteiga.

Ok, boto mais água, pra demorar mais pra ela secar, porque eu vou ter que ir ao supermercado em frente à padaria pra pegar uma manteiguinha.

Celular, chave, cinco reais, fui. Água esquentando, TV ligada, já volto.

No caminho, ligo pra Priscila pra combinar um cineminha logo mais - fol mal, Marina, não vamos te esperar voltar - conto a razão pela qual não consegui ir ao All Black ontem, rimos a valer das histórias do Luquinha, chego no supermercado, boto meus pertences numa cestinha, penso "É só uma manteiga, loira... cestinha?", tiro as coisas da cestinha, falando, falando, falando com a Priscila... pego a manteiga, vou pro caixa, pago, saio, atravesso a rua, padaria, "dois 'pãezinhos' (viu, Fê?) por favor, moça?", e falando, falando, falando, "setenta centavos", vou pro caixa, pago, pego troco, vou embora, "então tchau, Priscila, até de tarde". Desligo o celular.

Chego no prédio, elevador, aperto o cinco que é o meu andar, não vejo a hora de te encontrar, água fervente.
Parada na porta, cadê a chave?
Ouço a TV, penso na água fervendo.
Viro a sacolinha do supermercado no chão, nada de chave.
Vizinho passa, eu agachada olhando as coisas espalhadas no chão e pensando na água fervendo. "Perdeu a chave?", "Anrran".

Ligo pro supermercado enquanto chamo o elevador pra ir em busca da chave perdida.
O vizinho vem junto, ele tinha ido buscar uma coisa que esqueceu em casa, hoje em dia o povo é muito distraído, gente!

Nada de chave no supermercado.
A água em ebulição.
Conto pro vizinho que eu não posso fazer duas coisas ao mesmo tempo, falar ao telefone e comprar pão E manteiga é too much, gente!
Vizinho ri. Muito.

Sigo meu caminho, olhando pro chão e pensando no prédio em chamas.
Nada de chave.
Supermercado.
"Perdi uma chave com chaveiro de tartaruga!"
"Ah! Espera aí."
"Encontraram?!?"
"Encontramos sim!".
Vem outra moça: "Nããão... eu disse que LIGARAM PERGUNTANDO de uma chave!".
"Ah, então... por enquanto, nada.".
"Vamos olhar nas cestinhas, moça?"
Desempilhamos as cestinhas, arrastamos a pilha, nada.
"Anota meu telefone e me avisa se aparecer?"
"Claaaaro!!!"

Água fervendo. Na minha cabeça, prédio em chamas.

Padaria.
"Moça, não deixei uma chave aqui no balcão?"
"Não, você saiu com ela na mão, balançando...".
"Saí? Você VIU?".
"Vi."

Caixa da padaria.
"Tá aqui, moça.".

Ô, gente!!!
Que benção.
Obrigada, Senhor.

Corro pra casa, elevador, aperto o cinco que é o meu andar, abro a porta - afinal, eu tenho a chave - tudo certo.

Eu realmente botei MUITA água pra ferver.

Ufa! Mais uma vez, no fim deu certo.
This is me.
E não sei bem onde isso vai parar.

Monday, September 01, 2008

Tratado sobre o Nada ou Cantando e Comentando III


Considerando a minha freqüência para escrever ultimamente, já tá meio na hora.
Mas eu não tenho nada pra dizer.

Mesmo assim eu me desafio.
Escrevo sobre nada, o que é que tem?

É só deixar solto que a coisa vem.
Por enquanto, nada, mas uma hora vem.

Olho em volta pra tentar achar assunto, vejo na impressora uma folha de papel sem nada.
Braaaanca, branca.

Opa.
Uma folha branca me fez lembrar de uma musiquinha bonitinha e vou acrescentar outro título ao post agora e falemos dela. Pronto.

+++++++++++++++++++++++++++++++

I am unwritten, can't read my mind, I'm undefined
I'm just beginning, the pen's in my hand, ending unplanned

Staring at the blank page before you
Open up the dirty window
Let the sun illuminate the words that you could not find reaching for something in the distance
So close you can almost taste it
Release your inhibitions

Feel the rain on your skin
No one else can feel it for you
Only you can let it in
No one else, no one else
Can speak the words on your lips
Drench yourself in words unspoken
Live your life with arms wide open

Today is when your book begins
The rest is still unwritten

I break tradition, sometimes my tries, are outside the lines
We've been conditioned to not make mistakes, but I can't live that way

+++++++++++++++++++++++++++++++

Pois é, Natasha, eu também preciso cometer enganos.
Acertar toda hora é sem graça demais, gente.

Me deixar expressar também é importante.
Quebrar tradições, começar meu livro todo santo dia, abrir as janelas sujas, ai que delícia.

Essa música enche a gente de fôlego e de energia pra começar de novo.
E tudo precisa ser recomeçado todo dia e toda hora.
A gente não recomeça quando abre os olhos de manhã?
É que às vezes a gente corre tanto, vai tanto no automático, que não vê que tem em mãos quando abre os olhos todo dia uma folha branca, e que não, você não precisa necessariamente copiar tudo da folha de ontem.

Hoje você começa seu livro.
O resto, você mesmo ainda tem que escrever.

Bom Dia!!!

Friday, August 22, 2008

Cantando e Comentando II


Eu entrei na sala e elas estavam falando de amor.
Saí.

A Fê mandou um scrap falando "Sai, besta. Postei.".
Li.

Hoje de manhã eu varria a casa com o rádio ligado lá no banheiro - tá bom, ali no banheiro, minha casa é um ovo de dois bancos - e o Arnaldo Antunes cantava isso aqui.
Ouvi e pensei.

++++++++++++++++++++++++++++++

Socorro, não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar
Nem pra rir
Socorro, alguma alma, mesmo
Que penada,
Me empreste suas penas
Já não sinto amor nem dor,
Já não sinto nada
Socorro, alguem me dê um coração
Que esse já não bate nem apanha
Por favor, uma emoção pequena,
Qualquer coisa
Qualquer coisa que se sinta,
Tem tantos sentimentos, deve ter
Algum que sirva

Socorro, alguma rua que me
Dê sentido,
Em qualquer cruzamento,
Acostamento,
Encruzilhada,
Socorro, eu já não sinto nada

Socorro, não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Nem vontade de chorar
Nem de rir
Socorro, alguma alma, mesmo
Que penada,
Me empreste suas penas
Ja nao sinto amor nem dor,
Ja nao sinto nada
Socorro, alguém me dê um coração,
Que esse já não bate nem apanha,
Por favor, uma emoção pequena,
Qualquer coisa
Qualquer coisa que se sinta,
Tem tantos sentimentos , deve ter
Algum que sirva
Qualquer coisa que se sinta,
Tem tantos sentimentos, deve ter
Algum que sirva.

+++++++++++++++++++++++++++++++++++

E eu gosto de suspirar pelos cantos, juro.
Se precisar sofrer eu sofro, já passei por cada perrengue nessa vida (you don't know my life, b****!).
Só não sei mais se espero ou se procuro.
Se pergunto pro livro ele não responde...

Só sei que a loira tava andando pela rua e viu uma casca de banana.
Olhou pra ela e pensou: VOU CAIR DE NOVO.

E olha, uma coisa é fato: loira, eu sou.

Monday, August 18, 2008

Postando e Comentando III


Recebi por e-mail da Liz, tão essencial na minha vida, tão de verdade!
Tá lá na Bahia a menina, mas na sintonia de sempre comigo, porque olha... pra me mandar isso numa hora como essa, é porque a conexão tá fuerte!

De novo são coisas que eu penso e sinto e que alguém vem e fala.
Eu venho e falo pra você.
E se você concorda ou ao menos me entende, isto implica que eu tenho tempo sim, pra você.
Mas com outros tantos aí eu sou educada, quase cordial, mas deu.
Tempo, tempo mesmo, energia, essas coisas, aaaah, não ando perdendo fácil não.
Tenho meia bacia de jaboticaba pra roer até os caroços.
Servido?

+++++++++++++++++++++++++++++++++

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora.
Sinto-me como aquela menina que ganhou uma bacia de jaboticabas.
As primeiras, ela chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para projetos megalômanos.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas que, apesar da idade cronológica, são imaturas.

Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.
Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: 'as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...

Sem muitas jaboticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado de Deus.

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.

O essencial faz a vida valer a pena!
Basta o essencial!

Thursday, August 14, 2008

A Lei da Atração ou Ele tinha que ser meu


Não vou me alongar muito na descrição de mim mesma, porque, meus fiéis leitores, quase em sua totalidade, me conhecem o suficiente pra entender o que a história, por si só, diz.

Eu, professora de inglês, iniciando mais um semestre, conhecendo muitos novos alunos, hoje conheci Astolpho*.
Todos haviam me alertado que Astolpho* é sobrinho do guitarrista de uma famosa banda pop, de sucesso estrondoso nos anos 80, mas conhecida até hoje.
Ele se orgulha desse parentesco e pergunta a todos: “Você conhece a banda tal? Sabe o guitarrista, o Fulano de Tal? Ele é meu tio!!!”.
Era isso o que eu esperava de Astolpho* no nosso primeiro contato, e eu estava pronta inclusive para cantarolar todos os hits da banda tal, de quem eu sempre fui fã ardorosa.
Mas não foi assim que as coisas aconteceram.

- You must be Astolpho*...
- Yes, teacher!
- Nice to meet you!
- Nice to meet you too.
- How are you today, Astolpho*?
- So, so, teacher.
- What happened?
- Não, teacher, é que eu tenho uns planos pra botar em prática antes do apocalipse.
- Ah, éééé? E quando vai ser o apocalipse?
- Dia 21 de setembro.
- De 2008?
- De 2008.
- (teacher pensativa no fator numerológico e tals)
- É por causa do alinhamento dos planetas.
- É?
- Mas... não tem como evitar? O mundo vai MESMO acabar?
- Não está nada certo ainda. Ou o macaco come a banana, ou é o final dos tempos.
- Ah.

E a vida segue seu curso.

PS: Astolpho* tem 12 anos de idade e planeja explodir a escola, antes de 21 de setembro de 2008.

* O nome foi trocado para preservar a identidade do aluno e para causar uma curiosidade.

Thursday, August 07, 2008

Cantando e Comentando I - Pra Ninguém


Tem texto e tem música que a gente acha que foi a gente que escreveu.
Pelo menos a gente pensou daquele jeito, veio um outro e escreveu pra gente.
Daí a gente descobre, fala pra si: "É isso!", posta num blog e comenta!
E a vida segue seu curso (certo, Flá?).

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Ninguém pra ligar
E dizer onde estou
Ninguém pra ir comigo onde eu vou

Por outro lado
Ninguém pra abaixar o volume
Ninguém pra reclamar dos pratos sujos
Ninguém pra eu fingir que eu não amo

Toda noite no mesmo lugar
Eu abro os olhos
E deixo o dia entrar
Pra ninguém

Ninguém pra dizer quando eu devo parar
Ninguém na casa pra poder acordar
Do meu lado

Ninguém pra contar novidades
Ninguém pra fechar as cortinas
Ninguém pra brigar de vez em quando

Toda noite no mesmo lugar
Eu abro os olhos
E deixo o dia entrar
Pra ninguém

+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++

Pois é. É assim confuso mesmo.
Tem horas que eu acho ótimo, tem horas que eu me pergunto até quando.

Tem horas que eu lamento ter deixado escapar minha chance, daí eu penso em quantas outras coisas eu teria deixado de fazer se eu tivesse agarrado a tal da chance. Será que eu seria essa pessoa que eu sou hoje, essa pessoa que eu gosto tanto de ser?

Ás vezes eu acho que É AGORA!!! \o/
Que eu encontrei quem também me procurava.
Daí eu percebo que estou mais uma vez me repetindo, it's again the same old same.

Mudar de país não adiantou não. Eu mudei de idioma e pelo jeito não mudei o discurso.
Acho que não tem fórmula.
Não que eu saiba.

Bom, então vamos fazer assim, eu tenho uma idéia melhor, outra música até:
"enquanto eu vou andando o mundo gira e nos espera nuuuuuma boooooa!"
Iiiiisso, assim mesmo, assim sem pressa.

Vou indo então.
A gente se vê.
Ou não.

Saturday, August 02, 2008

Memórias da Princesa


Você pode até duvidar, é um direito seu, mas eu já fui LINDA!!!
E eu acreditava nisso.
Eu andava pela rua sozinha às vezes, assim, pra ir na vizinha pedir um ovo, ou ao supermercado comprar cebola pra minha mãe, e pra disfarçar o medo, eu pensava assim: "nunca que o 'omilôco' vai me pegar! quando ele olhar pra mim, com esse cabelo loiro de Angélica batendo na cintura e esse olho azul, ele não vai ter coragem de me fazer mal!".

Assim eu fui seguindo, linda, linda! Um dia descobriram a minha lindeza e modéstia e ligaram lá em casa pra perguntar se a minha mãe não queria me inscrever no concurso de "Rainha Mirim da Primavera".
Eu escutei a conversa e fiquei louca.
Mas eu tinha cinco anos e a idade mínima era seis.

Por outro lado eu era linda demais pra esperar um ano no anonimato, daí decidiram que mesmo que eu merecesse, eu teria que ser Princesa. Pensando bem, eu causo uma polêmica desde bem cedo.
Mas ok, eu podia superar. Princesa é bom também.

A Sandra da Marel me fez dois vestidos lindos que eu odiava na época, porque eu ficava parecendo a minha boneca Gui-Gui, quando eu queria um longo rosa choque que me deixava parecendo uma princesa moderna e estilosa.
Mas a minha mãe era quem mandava naquele tempo.

Depois de flutuar graciosa pelas passarelas montadas no Jardim Zoológico, fui eleita Princesa, apesar de ser muito mais linda que a Rainha que tinha seis anos. Tudo bem.
Eu era também muito boazinha, não fiquei triste pelo título. Era só um nome.
Mas na hora de ganhar os prêmios, meu coração chorou.
A Rainha, com toda sua magnitude, ganhou uma caixa de bombons Garoto e uma caixa de lápis de cor de 36.
As duas Princesas ganharam os mesmos bombons, ok, mas a caixa de lápis de cor era de 24.
Não me lembro hoje, mas talvez nem tivesse o azul-piscina, o salmon, quiçá não tivesse o ocre!
Foi um golpe duro.

Mas minha alma de Princesa engoliu as lágrimas e manteve a pose até o fim.

Esta foi minha primeira grande frustração, mas foi assim que eu aprendi a lutar, calada e graciosa, pelos lápis a mais.

E mesmo quando não dá certo, eu pinto a vida com 24 lindas cores, e saio por aí, como uma Princesa - nem tão mirim - da Primavera, espalhando minhas cores e minhas flores!!!

* Sassá, este post é pra você, dear!

Sunday, July 20, 2008

Postando e Comentando II


20 de Julho, Dia do Amigo.
Claro que tinha que ter post...
Vamo que vamo!!!




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Dei pra me emocionar cada vez que falo dos amigos. Deve ser a idade, dizem que a gente fica mais sentimental.

Mas é fato: quando penso no que tenho de mais valioso, os amigos aparecem em pé de igualdade com o resto da família. E quando ouço pessoas dizendo que amigo mesmo, a gente só tem 2 ou 3, fico até meio besta de tanto orgulho: eu tenho muito mais do que 2 ou 3. São uma cambada.

Amizade não é só empatia, é cultivo. Exige tempo, disposição. E o mais importante: o carinho não precisa - nem deve - ser acompanhado de um motivo.
Você não precisa de uma razão, basta sentir falta da pessoa. E, estando juntos, tratarem-se bem.

Difícil exemplificar o que é tratar bem. Se são amigos mesmo não precisam nem se falar, podem caminhar lado a lado em silêncio. Não precisa trocar elogios constantes, podem até pegar no pé um do outro, delicadamente. Não é preciso manifestações constantes de carinho, podem dizer verdades duras, às vezes elas são necessárias. Mas há sempre algo sublime no ar entre dois amigos de verdade. Talvez respeito seja a palavra. Afeto, certamente. Cumplicidade? Mais do que cumplicidade. Sintonia? Acho que é amor.

Só mesmo amando pra você confiar a ele o seu próprio inferno. Por amor, você empresta suas coisas, dá o seu tempo, é honesto nas suas respostas, cuida pra não ofender, abraça causas que não são suas, entra numas roubadas, compreende alguns sumiços, só que liga quando o sumiço é exagerado. Tudo isso é amizade com trato. Se amigos assim entraram na sua vida, não deixe que sumam.

Porém, a maioria das pessoas não só deixa como contribui para que os amigos evaporem. Ignora os mecanismos de manutenção. Acha que amizade é algo que vem pronto e que é da sua natureza ser constante. E aí um dia abrimos a mãozinha e não conseguimos contar nos dedos nem dois amigos pra valer. E ainda dizemos que a solidão é um sintoma destes dias de hoje, tão emergenciais, tão individualistas. Nada disso. A solidão é apenas um sintoma do nosso descaso.

Martha Medeiros

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Nada é tão clichê e tão verdadeiro quanto o que ouvi de uma amiga dia desses: "Quem tem um amigo, tem um tesouro!", e eu realmente, tenho uma renca de bons amigos!

E a amizade de Carrie, Samantha, Miranda e Charlotte me fez chorar muito mais do que o casamento de Carrie e Mr. Big.
E o casamento de Carrie e Mr. Big só ficou completo quanto aquela porta se abriu e ela pôde ver her girls!

Depois que eu passei um tempo longe dos meus amigos mais antigos e senti tanta falta deles, acho que aprendi a ser uma amiga melhor. Já tive tempo de extremo relapso. Estou de certa forma tirando o atraso com o cuidado de não me exceder, porque tem que parecer tão verdadeiro quanto é, esse meu esforço.
Esforço que virou costume que virou prazer que virou natural.
Agora cuido muito bem dos amigos novos que eu ganhei quando os antigos estavam longe.
E dos que eu ganho de tempos em tempos, disfarçados de amigos virtuais, de alunos (meus e dos outros), de trutas, de teachers, de sobrinhos, de amigos dos sobrinhos...

GOSTO desses meus amigos, e tenho tentado sempre dar aquela "regadinha".

Um beijo dos mais apertados em todos vocês, meus querdidões e minhas queridinhas!

Sunday, July 13, 2008

Postando e Comentando


Às vezes a gente lê umas coisas que gostaria de ter escrito, mas né?, se eu estou lendo, geralmente é porque alguém já escreveu.
Então olha só, quando eu achar essas coisas, eu posto aqui, e comento. Digo porque que eu gostaria de ter escrito isso.
Fechado?
Fechado!


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CHIQUES PRA CARAMBA

Em caso de descaso, em qualquer desatenção, finja que não. Você não pode se incomodar. Nada deverá te atingir ou te afetar, no hard feelings. A vida é assim e você não pode se incomodar. As pessoas dão um perdido. Você dá um perdido. Todo mundo dá um perdido e não é você quem vai se incomodar agora com esse tipo de coisa. Imagina.

O outro não vai se iludir, ou não deveria, nem deve mais se lembrar daquela história, eu te disse você topou, nós combinamos, esse tipo de acerto já foi, pra lá de ultrapassado, como a corrente de acordos e afetos desfeitos pela informalidade, ampla, geral e irrestrita, postura que tomou posse de nós, nessa onda pós-tudo, onde tudo se pode e quem sabe se perde mesmo.

Entre a mentira e a verdade de se incomodar com a coisa, o achado ou o perdido, a quebra do trato e como reagir a ele, você não vai hesitar, seguirá o mandamento quase-budista, afinal faz parte do clube dos safos ou que nele quer entrar. Como o bom cabrito que não berra, você será gentil e confortável como brisa na calçada, suave como o novo absorvente, refinado, impermeável. Incomodado? Você?

Há compromissos e compromissos, e se você se importar com a falta de compromisso com o compromisso, estará se importando com aquele que não deve se importar - portanto, não se importe, não corra esse risco, não pague o mico. Finja que nem ligou quando ele não ligou e também você não ligaria, com tanta coisa pra fazer. Jamais toque no assunto. Minta ou esqueça. E não é pra ficar sentido, que horror, que história é essa de sentir, falta, desapontamento ou desejo, as pessoas têm seus motivos, todo mundo correndo, sem tempo pra nada, telefonar, avisar, não precisa, você entende perfeitamente.

Nonchalance* pode ser condição para a leveza e a distinção - mas não precisa exagerar. Você até poderia se importar, levando-se em conta sua natureza, humana, mamífera, cinco sentidos e sangue quente. Você poderia se importar, e talvez fosse lindo. Mas como fazê-lo, quando e com quem, se é tão mais fácil mentir e se achar, dar um perdido, ou no caso de ser você, levar o perdido, que diferença, tanto faz, ninguém importa tanto assim, não é você quem vai levar a sério, e por aí vai, ou não vamos, assim não vamos mesmo, a não ser que a idéia seja essa, chegar a lugar nenhum.

Ele não pede desculpa você também, ela esqueceu de retornar você nem se importou, que é isso, amigos da vida inteira ou da última hora, era só um encontro, um estar, coisa mais normal de acontecer, tinha uma mensagem no celular, ou pelo menos o número registrado, ou nada, mas também pode ser o seu celular, que vive fora de área, como ele ou você, inalcançáveis, intocáveis, chiques pra caramba.

Isa Pessoa, na Revista O Globo, 13 de julho de 2008.
*NONCHALANCE: malemolência, em Francês (chique pra caramba, hehe!)
+++++++++++++++++++++++++++++++++

Então... que será que eu vi aí?
Eu vi que a gente torna a vida difícil - a nossa e a do outro - quando a gente diz: "Precisamos combinar alguma coisa!", quando na verdade a gente não quer combinar nada.
Que você finge que me ama e eu finjo que acredito e que isso é outra coisa que pra mim não tem porque.
Se eu não te amo, deixo pra lá, uai.
Simples assim, ó: If you love me, let me know. If you don't love me, let me go.

Coerência urgente para todos!

E por outro lado, se não deu, rodou, já foi, desencana, sai dessa e desapega.
Gente carente cansa um pouco.
Gente de porcelana dá medo na gente se ser sincero.
Não melindra muito não porque geralmente o outro não tá nem ligando.
E seja sempre chique.
Pra caramba!

Thursday, June 26, 2008

A stick, a stone, the end of the road...


Acabou, gente.
Boas férias.
Ai que cansaço.

Aiai que saudade, gente!
Volta logo!!!
Será que você vai ser meu de novo?
Ou vai ser de quem agora, Jesus?

Na era do desapego, me apeguei a essas figuras todas pra quem - como foi dito hoje - eu finjo que ensino e que fingem que aprendem.

É que eu vou meio na brincadeira, meio do meu jeito, mas passando o meu recado.
Uns absorvem e acompanham mais, me acham meio engraçada, meio zuada, acham que eu tenho muita paciência, até demais, nem eles acreditam.

Tem outros que não acham tanta graça assim.
Vai ver queriam até que eu conseguisse ficar brava, coisa que eu queria conseguir fazer sim, porque às vezes o caos se instaura e não tem jeito não.

No final a maioria faz uma prova bem da boa que quase me faz duvidar que fui eu que ensinei aquilo pra eles.

Mas é isso aí. Oficialmente, acabou hoje o primeiro semestre.
Essa semana foi a semana do pic-nic na chácara do Santa, do Família Burger com o Higher 1, do "Harry Potter" com pipoca com o Teens 2 e do "The Bucket List" com o Steps 2.
Semana de muuuuuuito episódio de "Friends" que nem sei se divertiram mais as teachers ou os alunos do Higher 4 e todos os alunos das outras teachers, naquelas sessões comunitárias.

E semana que vem tem sushi pra comemorar o IELTS da Carol!!!
Sim, porque tá combinado que ela vai arrasar!!!

Pois é... Dá pra sentir a saudade precoce que eu já tô sentindo!

Queeeeeeeeeeee fim do caminho que nada.
Em Agosto tem mais, gente!

GOSTO!
Gosto que me enrosco!!!

Ô, vida boa, nénão???

Monday, June 16, 2008

Feliz Aniversário, Envelheço na Cidade


Eu gosto de aniversário.
Sempre gostei! Desde quando eu era a Patricia Branca, que estudava no Colégio Santos Anjos e fazia minhas festinhas com as outras anjinhas, minhas colegas de sala.
De lá pra cá muita água passou debaixo da ponte, a anja cresceu, apareceu, e gostou!

Bom, de uns tempos pra cá, não sei porque, umas coisas chatas cismaram de acontecer comigo no dia do meu aniversário.
Problema delas, porque eu mesma, nem ligo.
Aniversário pra mim é que nem carnaval pra carioca.
Eu já tô pensando no do ano que vem, hahaha...

Confesso a você que esse ano eu tava meio tensa. Já viu, né? Morando na Selva de Pedras há relativamente pouco tempo, eu que sempre vivi cercada de amigos nesses doze de junhos da vida, achei que podia não suportar a solidão.
Engano redondo. Como disse Cazuza num dia qualquer: “Solidão, que nada!”.
Geminianos ótimos tão sempre por aí, querendo se juntar àquele outro geminiano ótimo que ele conhece pra comemorar, e geminianos têm sempre convidados ótimos também! No meu caso e da Paulinha, além de ótimos eram praticamente os mesmos, uma benção.

Uns alunos fofos já fizeram meu dia com uma festinha fofa na sala de aula.

A pizza do Santa Pizza foi o começo da minha via-sacra por todos os lugares de São Paulo por onde eu desejei passar nesse doze de junho. E passei.

A Choperia Liberdade é um lugar que deixa todo mundo ótimo, mesmo na sexta-feira treze. Deixa todo mundo livre, leve, solto, dançando a Macarena (a-aaaai), cantando o Saca-Rolhas, cantando até em japonês com a Mama, tirando foto de tudo, abordando e sendo abordado por pessoas ótimas, numa festa pronta e sem limites!
E teve Patinha direto da Russia, Lé direto da Holanda, a Mama direto do Japão!!!

O Municipal tem pastel de carne seca com catupiry e tem a Roberta da banda “A Cores” que não deixa ninguém parado. Tem Luquinha com seu humor peculiar e com a senha número 3 pra gente pedir coisinhas.

O Feira tem mesa reservada, tem gerente nervosa, tem caipivodca suquinho,tem aniversário da Ana Luiza, tem João Macacão que judia no chorinho e que namorou uma moça de Varginha que morava na Vila Barcelona a cujo casamento ele compareceu.

Resumo da ópera: eu não tenho do que reclamar desse doze de junho, em absoluto.
Faltou muita gente que eu queria por perto, mas eu senti uma alegria muito grande ao perceber que eu não fico sozinha nessa minha vida nem na Selva de Pedras.
E que... quebrando a tradição, a última coisa chata que aconteceu no meu aniversário foi no ano passado.

E o que passou, calou.
E o que virá, dirá.

Feliz Ano Novo pra mim e pros geminianos ótimos como a Paulinha e a Ana Luiza.

Sunday, May 25, 2008

Discretamente FELIZ!!!




Falo alto e bastante
Rio alto e bastante também.
Gesticulo o tempo todo. Canto sem parar. Mudo de ambiente com passos de dança.
Sou uma espécie relativamente comum de escândalo.
Sou?
Não sei mais.

Feriado de Corpus Christi. Esse ano, 22 de maio, uma quinta-feira. Eu mal humorada por ter que sair da cama e pegar um ônibus pra Varginha quando o teletransporte seria muito mais eficaz e menos penoso.
Estação Santa Cecília, baldeação na Sé pra chegar ao Tietê.
Já na estação Santa Cecília dei a sorte de entrar num vagão de gente feliz.
Ninguém é feliz daquele jeito de manhã, nem mesmo eu, gente. Eles conversavam à distância, assim, uns no fundo do vagão gritavam para os da frente, aqueles gritos eufóricos passavam através dos ouvidos de pessoas comuns como eu.
Na Sé eles batiam palmas e gritavam muito (mais) felizes.

A coisa ia piorar. Eles eram MUITOS, e havia policiamento especial para... contê-los. Conter? Alegria precisa de contenção? Nesses casos sim. Pai Eterno, Jesus de Nazaré Rei dos Judeus, com toooodo o respeito à Igreja Renascer e a todas as Igrejas... me responde, gente... PRECISA escândalo pra louvar?
Entraram centenas deles, uniformizados e gritando, cantando, pulando, irritando, ai!!!
Desceram na Estação Tiradentes e um senhor (não, não era O Senhor) que ficou no metrô olhou pra mim e disse: “Jesus não gosta de bagunça, não!”. Hahahaha... Sou obrigada a concordar e torcer pra estarmos certos e sermos perdoados por não sermos fanáticos.
Quatro dias depois, volto pra São Paulo e o que me espera no metrô?
O fim da Parada do Orgulho Gay!!!
E por falar em fanáticos, PA-RA-DA DO OR-GU-LHO GAY!!!
De novo, com tooooodo o respeito a todas as opções, PRECISA escândalo pra se orgulhar?
Ô, gente! Eu tenho certa reserva com alegrias programadas, com data marcada, sabe? Tipo, dia da Jornada, dia da Parada, dia de Natal, sabe? Prefiro ficar feliz quando fico feliz, por coisas realmente bobas, banais, comuns até... e ainda assim às vezes meu bom humor irrita que eu sei!

Enfim, cá estou eu, sã, salva, católica não praticante, orgulhosamente hetero e bastante feliz, falando alto, rindo alto, cantando, dançando e irritando. Mas depois dessa experiência, eu diria que faço isso tudo de maneira muito contida e discreta. Uma lady, praticamente! ;)

Monday, May 19, 2008

Maio, o Mês das Noivas Branquinhas



Elas têm a mesma idade, o mesmo signo, são professoras e branquinhas, uma pequena e outra grande, a pequena se casou com o moço grande uns anos mais velho que ela. A grande se casou com o moço pequeno uns anos mais velho que ela. Não se conhecem. Pelo menos não por enquanto.

Uma está em Minas Gerais, a outra em São Paulo.

Sou tia de uma e amiga da outra.

Conheço a primeira há vinte e cinco anos, e a outra há cinco meses.

Adoro as duas e tenho certeza de que serão felizes com seus moços. Tenho certeza!

O casamento da mineira foi uma sucessão de imprevistos, de mudanças na última hora – do tempo, do local por causa da mudança do tempo – garantindo autenticidade a tudo, porque a pequenininha sempre foi assim, sempre acreditou que no fim tudo daria certo.

O casamento da paulista foi a perfeição de toooodos os detalhes. Com o cuidado e carinho que a paulista sempre imprimiu a tudo que ela faz.

Eu me senti muuuuuito feliz no casamento das duas. Foram ocasiões significativas pra mim e pra todos os convidados das duas, tenho certeza absoluta.

A Gabi falou bonito ao agradecer a todos os que amenizaram o impacto dos imprevistos dizendo que, mesmo com todos eles – eu diria que POR CAUSA deles – deu tudo certo!

A Fê não teve que se preocupar com os imprevistos, ou se teve, guardou segredo.

E sabe de uma coisa, branquinhas?
Deu tudo certo! E foi só o começo. Um dia feliz após o outro estão à espera de vocês e dos moços.

PS: A primeira encerrou a cerimônia ao som de "Age of Aquarius", a segunda, de "All we need is Love". Alguma dúvida de que deu tudo certo?

Thursday, April 10, 2008

Sun Paulo


Por que as pessoas de gêmeos são (quase sempre) assim?

Por que será que eu jurei que ia te contar tudo o que eu fizesse no meu tempo nos Estados Unidos e não consegui contar nem um décimo?
Porque eu não tenho disciplina, minha gente...
Não é fácil a pessoa do signo de gêmeos cumprir uma promessa!
Acredita que eu já mal me lembrava desse blog?
Mas aí lembrei. E vim cheia de novas boas intenções de escrever sempre sempre, mas quer saber?
Não prometo é mais nada!

Hoje eu tô aqui, então aproveita! Hahahaha...

Como cantaria Elis, "quero lhe contar como eu vivi e tudo que aconteceu comigo".
Assim, como se eu fosse Luana Piovani mesmo, como se minha vida fosse algo muito interessante.
Se bem que eu não acho a vida da Luana Piovani interessante não.
Ela só namora todo mundo e anda sem calcinha, so what?
Mas eu falei dela porque eu acho que ela foi uma das primeiras celebridades (coisa que eu praticamente também sou) a escrever um blog, você lembra?

Como eu sou mais interessante do que ela – opa... e não sou? – eu acho mais legal me inspirar em Carrie Bradshaw, de Sex and The City.
A gente até tem o mesmo curly hair e o mesmo narigão.
Tá, ela é mais magrinha, mas o chá verde me levará até lá. Um dia.

Pois é... eu tô aqui, em São Paulo, a cidade que não pára, dando aulas de inglês e tomando chá verde.
Comendo muita comida japonesa – já posso avaliar uns cinco ou seis ou dez restaurantes – indo a bons shows, dominando a cada dia a arte de andar de ônibus e metrô, praticando muito a minha faceta de people watcher nessa terra em que se vê de um tudo e nada choca.

Estou fazendo muitos e bons amigos nessa terra boa e de gente sempre interessante. O perfil aqui é outro, as cabeças pensam mais, eu acho. São mais abertas, as crianças de dez anos ouvem Beatles, Iron Maiden e Black Sabbath, e não venha com Rihanna pro nosso lado não.
Os moleques de 18 anos trabalham em livrarias, fazem mágica em festa de criança, assistem três, quatro filmes em um final de semana, sabem muito de música dos anos oitenta.

Isso faz a gente ter vergonha de se acomodar, faz a gente querer sempre mais. A gente que passou dos trinta e acha que já sabe bastante.
Sabe naaaaada, gente!
E graças a Deus que não!

Eu por minha vez sigo surpreendendo, me surpreendendo, ensinando, aprendendo, caminhando, aproveitando tudo que essa terra e essas pessoas têm de bom pra me oferecer.
E se eu puder fazer uma gracinha pra deixá-los mais felizes, em troca, eu faço sim, uai!

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Num apartamento perdido na cidade,
alguém está tentando acreditar
que as coisas vão melhorar ultimamente.
A gente não consegue
ficar indiferente debaixo desse céu.
No meu apartamento
você não sabe o quanto voei,
o quanto me aproximei de lá da Terra.
Num apartamento perdido na cidade,
alguém está tentando acreditar
que as coisas vão melhorar ultimamente.
No meu apartamento
você não sabe quanto voei,
o quanto me aproximei de lá da Terra.
As luzes da cidade não chegam às estrelas sem antes me buscar.
Na medida do impossível tá dando pra se viver.
Na cidade de São Paulo, o amor é imprevisível
como você e eu e o céu.

Wednesday, September 12, 2007

Yellowstone National Park - Verao de 2007 - Que viagem...









Aíííííí... Agora no verão, fui de novo pra lá e conheci o outro "looping", fazendo um passeio diferente. A gente segue com o guia em uma van, e o guia tem um olho clínico pra encontrar ursos e outros animais selvagens no meio das florestas do parque. Quando ele vê alguma coisa, a gente pára e desce da van pra olhar pelo binóculo. O engraçado é que a gente vê de muito longe, mas fica satisfeitíssimo quando identifica cada borrão! Hahahaha...
Mas o que compensa mesmo nesse passeio são as paisagens... os canyons são a coisa mais linda desse mundo!!!
O Lower Falls, uma das cachoeiras, tem 308 pés, isto significa quase duas vezes a altura do Niagara Falls!!! Tudo lá é exuberante, de tirar o fôlego!

A atração mais nova do Parque de Yellowstone é o Grizzly Discovery Center and National Geographic Theatre, e claaaaro que eu fui visitar também.
Lá sim você pode ver ursos e lobos bem de pertinho. São muito fofos assim, presos, hahaha...
É legal também porque a proposta é bem didática, então você tem acesso a uma gama de informações sobre a vida selvagem, filmes educativos, vê as "gaiolas" utilizadas para transporte dos bichinhos, tudo de perto!

Que mais? Ah, o IMAX Theatre!!!
É um cinema 3D, o maior "motion picture system" do mundo!
Você realmente se sente dentro do filme, dentro da tela.
O que eu assisti foi o "Yellowstone". O diretor (Bill Conti) foi vencedor de três Emmys e um Oscar.
O filme conta a história do parque voltando no tempo, desde os índios da Tribo Tukudika, seus mais antigos habitantes conhecidos, até os mais recentes exploradores, como John Colter, sócio da expedição Lewis & Clark. Contando literalmente um pouquinho de história, Colter é o primeiro homem branco conhecido a ter visitado a região de Yellowstone no período entre 1806 e 1808. Sendo um membro original da Expedição Lewis e Clark, Colter solicitou a permissão de Meriwether Lewis para deixar a expedição depois que tinha terminado de cruzar as Montanhas Rochosas durante a sua viagem de regresso do Oceano Pacífico. Colter agrupou-se com dois exploradores não filiados que a expedição tinha encontrado, mas logo depois disso tinha decidido explorar regiões ao sul de onde os seus novos parceiros desejaram arriscar-se. Viajando primeiramente na região a nordeste do que é hoje Parque Nacional de Yellowstone, Colter então explorou as Montanhas Absaroka, atravessando o Passo de Togwotee e introduzindo o vale conhecido hoje como Jackson Hole. Colter sobreviveu tanto a um ataque de urso grisalho quanto a uma perseguição feita por um bando de Índios Blackfeet que tinham tomado o seu cavalo. O explorador depois forneceu a William Clark, que tinha sido o seu comandante na Lewis e Clark Expedition, as informações anteriormente desconhecidas das regiões que ele tinha explorado, que Clark publicou em 1814.

E EU FUI LÁ!!! DUAS VEZES!!!
Bacanésimo isso, hein? Fala a verdade!!!

Monday, September 10, 2007

Yellowstone National Park - Inverno de 2006 - Que viagem...










Pros desavisados (desavisadíssimos, depois de um ano e dois meses, hahahaha), estou morando em Montana, nos Estados Unidos, trabalhando MUITO, muito mesmo, e finalmente, chegou a hora de começar a aproveitar um pouco também!

Na verdade eu comecei a aproveitar a passos lentos, no inverno passado, mas juro que vou contar tudo! Foi no inverno passado que estive em Yellowstone e fiquei apaixonada pelo lugar. Voltei agora no verão, mas foram dois passeios diferentes e em partes diferentes do parque.

O Parque de Yellowstone é o primeiro Parque Nacional dos Estados Unidos, e é conhecido popularmente como o Parque do Zé Colméia. É imeeeeenso, estou falando de mais de dois milhões de acres!!!

Ele é em formato de um "8" e cada "looping" tem uma paisagem caracterísca. Em um deles você vê os "geysers", que são piscinas naturais de água fervente que soltam jatos de água e vapor quente em intervalos relativamente curtos de tempo. O mais famoso e impressionante é chamado de Old Faithful, para este tem até arquibancadas pra acomodar o "público" que assiste seu "show"!!!
O cheiro de enxofre é beeem ruim, mas a beleza do espetáculo compensa.

Isto, como eu disse, foi o que eu vi em Yellowstone no inverno.
Chegando à cidade, você aluga uma espécie de moto própria pra andar na neve (snowmobile), botas, capacete, e manda ver na neve, monitorado por um guia. É adrenalina pura, porque você pode andar em considerável velocidade, com o vento frio cortando o rosto, admirando uma paisagem inesquecível, rica em vida selvagem que é mais do que respeitada pelo visitante.
São elks (uma espécie de veado com chifres enoooooormes), bisons (búfalos), mooses (alces), deers (veados), bighorn sheeps (uma espécie de cabra bem chifuda), antílopes, todos convivendo em paz e harmonia.

E você, caro leitor, vá "viajando" comigo aí nas fotos que já já eu volto com mais história pra contar!

Sunday, April 29, 2007

Tudo o que vai, volta!






É. Cheguei.
Voei de Atlanta pra cá na sexta-feira 13, e em prantos.
Quando liguei em casa pra avisar que só faltava agora o último vôo, soube que a minha avó - a mais linda de todas as avós - tinha ido embora. Não me esperou.
Depois de 97 anos muitíssimo bem vividos, ela foi embora, deixando um vazio muito muito muito grande mesmo nos corações de filhas, irmã, sobrinhos, netos e bisnetos. Mas é assim. Um dia a gente tem que ir.
A gente sempre volta, até o dia em que não volta mais, ou porque não quer, ou porque não pode.

E eu então voltei.

Vim tomar um fôlego brasileiro, cuja fonte são os meus pais, meus irmãos, a sobrinhada, e os inúmeros amigos.
Gente, eles são muitos!
E três semanas está sendo pouco pra vê-los e curti-los todos, porque afinal, de férias aqui estou só eu. Mas eu tô tentando.... Estou "atendendo" em grupos (hahaha) e tentando não esquecer de ninguém. Ainda falta um tanto bom, e falta uma semana só pra eu... voltar.
Voltar pra paz da minha montanha, daquele imenso céu que fica bem em cima da minha cabeça, pro silêncio, pro aperto do quarto 231 que vai estar enooorme sem a minha baianinha por lá (mas ela também volta).
Voltar pros novos amigos, para as pessoas especiais que eu ganhei.

Vai ser difícil - de novo - deixar tudo pra trás, estou impressionada com o tanto que sou querida.
Tá bom, eu sabia, mas depois de dez meses fora, tudo tem peso 2.
Tá muito bom sair todo dia com pessoas ótimas, comer muito e bem, tomar cerveja gelada, assistir filmes brasileiros no cinema, ver novela, saber que a Ivete continua rainha e boba, comprar CD e DVD da Maria Rita bem baratinho, saber in loco de todas as fofocas mais quentes, contar as minhas aventuras na América e chegar à conclusão de que por mais que eu hoje considere que minha vida é lá e é aquela, eu sempre terei pra onde e pra quem voltar.

Voltar é sempre muito bom.
Seja pra aqui. Seja pra lá.

E você, volte sempre. Prometo escrever mais! ;)

Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço, venha me apertar
Tô chegando
Coisa que gosto é poder partir sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar quando quero
Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai querer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim chegar e partir
São só dois lados da mesma viagem
O trem que chega é o mesmo trem da partida
A hora do encontro é também despedida
A plataforma dessa estação é a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar, é a vida

- Milton e Fernando Brant -